Associação 289

 

A Associação 289 é uma entidade sem fins lucrativos que tem como objectivo contribuir para a promoção e divulgação das Artes Visuais e outras manifestações de carácter artístico no contexto da região do Algarve, onde está instalada, mas também, sempre que possível, em todo o País e no estrangeiro, bem como defender os interesses dos seus associados e artistas. Para a prossecução dos seus fins a Associação propõe-se organizar mostras e exposições; divulgar e promover os trabalhos dos seus associados e de outros artistas; realizar workshops, colóquios e debates sobre assuntos relacionados com as Artes Visuais e outras manifestações de carácter artístico, bem como outros temas de cultura geral; promover iniciativas de índole cultural, com o propósito de sensibilizar a opinião pública para a Arte; divulgar por diversos meios os artistas e a Arte e estabelecer e manter protocolos e parcerias com associações e outras organizações de natureza cultural, nacionais ou internacionais.

 

A Associação 289 apresentou-se pela primeira vez ao público no dia 18 de Novembro de 2017 dando a conhecer o seu espaço no Sítio das Pontes de Marchil em Faro.

 

Apostrophe - Exposição Colectiva

 

Habitamos a casa, habitamos a cidade, habitamos os espaços que percorremos, habitamos o mundo.

No princípio era a casa, ainda desabitada. Agora, a casa da 289 ‘multiplica os seus conselhos de continuidade’ mantendo-nos ‘através das tempestades do céu e da vida’ (pedindo de empréstimo algumas palavras a Gaston Bachelard). Numa das paredes desta casa, no exterior, a artista Fernanda Fragateiro escolheu colocar a palavra generosidade. Estávamos num dia quente de Verão e desconhecíamos que muita coisa iria mudar por causa de um vírus.

Tiago Rodrigues (actor, dramaturgo e encenador), num artigo publicado no Jornal de Letras, no mesmo mês de Abril em que nos encontramos, mas do passado ano, escreveu: ‘é imperioso o exercício imoderado da solidariedade’, falando da incógnita de como seria o mundo das artes (nomeadamente o do teatro) após a pandemia e declarando que as ferramentas que temos são ainda ferramentas antigas para lidar com problema novos. Mas assegurava que o direito a estarmos juntos (que não através de uma interface, apesar de não o dizer expressamente no texto) seria reconquistado como um valor vital.

“A forma do espaço social é o encontro, a reunião, a simultaneidade’, relembrando o pensamento de Henri Lefebvre. Pessoas, coisas, signos, lugares.

A casa da 289 acolhe-nos mais uma vez, no seu espaço contentor, podendo servir de refúgio, de fuga, de repouso. Vai fortalecendo possibilidades de acontecer. Para voltar-se ao tempo em que as casas da arte estão vivas. Porque são os corpos que segregam o espaço. São os corpos que definem o sentido dos espaços, que os transformam em lugar. Os corpos a gerar uma comunidade. Os artistas e todos os outros que queiram também tornar habitável e habitar a casa. Porque esta casa, ao dar a ver a arte que nela se cria ou é criada noutros lugares, poderá ‘eventualmente, reenviar as pessoas para algo melhor, para uma visão mais sagaz e mais larga do mundo’, repetindo as palavras do filósofo Jacques Rancière. Que continua, dizendo-nos: ‘O que a arte pode fazer é, de certa forma, mudar as hierarquias sensíveis do pensamento, dando as mesmas experiências a pessoas diferentes, que vivem em universos sensíveis muito diferentes’. Para Rancière, a arte não produzirá uma nova ordem mundial, mas o potencial exploratório que só os espectadores podem produzir ficará: "O que quero dizer é que, hoje, não é uma obra que vai produzir um efeito. O que se produz é uma modificação da vida perceptiva, através da qual as pessoas podem ver outras realidades".

O que a casa da 289 propõe (e todos os artistas que a vão habitar temporariamente) é talvez saltos no desconhecido, exercícios de experimentação da liberdade, um ‘espreguiçamento’ das ‘qualidades’ relacionais. Experimentemos então saltar.

 

Susana de Medeiros, em Abril de 2021

 

 

 

 

À atenção dos interessados:

A partir desta semana, e como resultado da entrada na 4.ª fase do Plano de Desconfinamento, a exposição Apostrophe pode ser visitada todas as quintas, sextas, sábados e domingos, entre as 15:00 e as 19:00 horas.

 

A entrada é gratuita e a exposição poderá ser visitada com a entrada condicionada a um limite máximo de 10 pessoas em simultâneo no interior do espaço e ao uso obrigatório de máscara. Na entrada da 289 está disponível gel desinfectante. Os visitantes deverão respeitar a distância de segurança de 2 metros entre aqueles que não façam parte do seu grupo.